Neste dia, há 36 anos, os Estados Unidos capturaram o presidente do Panamá, Manuel Noriega, acusado de narcotráfico e levado para território norte-americano. Esta madrugada, 3 de Janeiro de 2026, os três milhões de venezuelanos que vivem em Caracas foram surpreendidos por uma agressão militar dos Estados Unidos contra diferentes pontos da capital. Numa operação rápida das forças especiais norte-americanas, Nicolás Maduro, Presidente da Venezuela, e a sua mulher, Cília Flores, foram sequestrados.
É um ataque sem precedentes à Venezuela que, desde a chegada de Hugo Chávez ao governo, assistiu a tentativas de golpes de Estado, tentativas de assassinato, infiltração de mercenários estrangeiros, imposição de sanções económicas, assassinatos extrajudiciais de tripulantes em embarcações e um bloqueio naval. Apesar de nenhum relatório internacional, seja de organismos das Nações Unidas, da União Europeia ou dos Estados Unidos, mencionar a Venezuela como ponto importante de produção ou passagem de droga, Donald Trump usa a acusação de narcotráfico como George W. Bush usou as armas de destruição massiva para invadir o Iraque.
Houve civis e militares mortos em diferentes partes de Caracas, um presidente sequestrado, mas sem uma invasão terrestre a mudança de sistema político e económico é uma impossibilidade. Em 1989, os Estados Unidos precisaram de 27 mil soldados para impor uma mudança no poder do Panamá. Sem um poder dessa dimensão, parece muito pouco razoável acreditar que as declarações de Maria Corina Machado tenham concretização na prática porque sem os Estados Unidos a oposição não tem capacidade para mudar o governo.