O bem não faz barulho e o barulho não faz bem
Definitivamente a frase de São Francisco de Sales é uma daquelas que, com poucas palavras, dizem muito. Quero começar trabalhando de trás para frente com “o barulho não faz bem”.
A incapacidade de ficar em silêncio, ouvir os próprios pensamentos e ouvir a voz serena de Deus revelam uma natureza animalizada. Quem evita o silêncio o faz para evitar os ferrões do remorso e assim se alienar da consciência acusadora, como diz Santo Afonso Maria de Ligório.
Pessoas barulhentas são brutas, agressivas, irrefletidas, eivadas de um ar meio bestial. As mulheres falastronas são fofoqueiras, vazias, fúteis. Os homens são embrutecidos, vazios de cultura e de espírito e quando dizem crer em algo sua fé é pura sensação, associam prazer físico a “presença de Deus”, uma paródia satânica do êxtase sagrado que raríssimos e bem-aventurados santos tiveram o privilégio de receber, uma singela amostra do céu em vida.
Outro problema grave do barulho é que ele deixou os lugares mundanos e invadiu o sagrado. É um verdadeiro tormento adorar a Deus debaixo de aplausos, baterias, violões e até guitarras, um arsenal de banda de rock inserido num lugar e num contexto onde não combinam e onde turbam os sentidos e impedem a lúcida contemplação do santo sacrifício.
A atmosfera festiva destes instrumentos não combinam com a missa, soam mais como sarro do santo sacrifício quando usados na missa. Eis o flagelo ao qual o concílio nos expõe, somado ao respeito humano de certos sacerdotes que preferem agradar aos fiéis à custa de violar a liturgia e zombar do santo sacrifício.
Continuando sobre a frase de São Francisco, vamos agora a primeira parte “o bem não faz barulho”. Pululam na internet vídeos de “caridades”, de pessoas ajudando outras vulneráveis em suas necessidades materiais, numa busca doentia por aplausos, para serem vistos como bons samaritanos. São, em sua maioria, gente que não cre, logo sua “caridade” não passa de filantropia rasteira; a verdadeira caridade busca o bem máximo do ser humano, qual seja, a eternidade com Deus.
É salutar suprir as necessidades materiais de quem não tem, mas é venéreo fazê-lo por aplausos. O que sua mão direita faz a esquerda não deve saber. A verdadeira caridade é reconhecida por si mesma, aparece por si mesma e produz frutos espirituais em quem a faz e em quem a recebe.
De toda forma o barulho é nojento. O céu com certeza é calmo, o inferno deve ser barulhento com bilhões de almas gritando em eterna agonia e demônios urrando de prazer por darem àquelas almas tamanho sofrimento.
Quem vive sob o julgo do barulho experimenta o inferno na terra. Aqueles celerados com seus sons altos vivem o anti-êxtase. Se o êxtase verdadeiro é uma amostra do céu, o anti-extase é uma amostra do inferno: dói nos que sabem o quanto é horrível, deleita quem acha aprazível. Caso não se arrependam, aqueles que se deleitam no barulho já estarão mais do que prontos para o inferno, assim como os santos que tiveram o verdadeiro êxtase estavam mais do que prontos para o céu.