Comentário de resultado – WEG ($WEGE3) – 1T/23
Parece forçação de barra, mas não é. Quem acompanha a WEG há um pouco mais de tempo, sabe que desde 2019 a companhia entrou em um ritmo de entrega de bons resultados que é percebido poucas vezes no mercado. Literalmente todos os seus números operacionais, mesmo com a turbulência da pressão inflacionária da pandemia, tem melhorado. E até o momento, isso não parou. No primeiro trimestre, de 2023, já abrindo o ano, mais uma vez seus números são fortes e reforçam a máxima: que qualidade no mercado tem preço, ou seja, dificilmente veremos as ações da WEG por preços descontados como apontam os modelos de valuation mais conservadores em algum momento.
Ainda com todos esses números bons, algo que citamos já no resultado passado está começando a aparecer: evidência de desaceleração por conta do cenário global. Falaremos mais ao longo do texto, e esse é o ponto de atenção de todos os números.
A receita da companhia teve forte alta face ao 1T22, com um crescimento 12,7% atingindo os R$ 7.7 bilhões (máxima histórica para um primeiro trimestre novamente), mas teve uma leve queda em relação ao 4T22 (-2,5%) e isso reforça o que comentamos sobre a desaceleração da economia global.
A WEG vende bens de capital, e se há menor investimento na indústria por conta de desaceleração econômica global, significa que ela venderá menos, o que implica em menor receita. Desde o 3T22 sua receita está crescendo num ritmo mais devagar, como ocorreu entre o 3T22 e o 4T22, com um número praticamente estável de receita, e agora uma queda entre o 1T23 e o 4T22. Isso não é ruim, na nossa visão, e é apenas um movimento macro – em algum momento o resultado da WEG desaceleraria, e há evidência disso já estar ocorrendo.
Sobre a origem de sua receita, a WEG segue protegendo muito bem o investidor com 52% vindo de fora do país, o que significa proteção cambial. Outro ponto que impactou a receita que também comentamos já diversas vezes em leituras passadas sobre a WEG, é o câmbio. No 1T23 o dólar médio caiu de R$ 5,23 para R$ 5,20. Nos períodos passados a WEG foi privilegiada com a disparada do câmbio por ser uma exportadora. Uma apreciação da nossa moeda significa menor receita para a companhia.
Sua receita por área de negócio teve algumas surpresas. No segmento de EEI (que representa 49% da receita total da companhia) houve crescimento de 20% no mercado interno e 16% no mercado externo, com a companhia se beneficiando dos ciclos das commodities indiretamente, visto que as empresas dessa área estão investindo forte em bens de capital – aqui é outra lição interessante sobre a empresa, que consegue se beneficiar em todo tipo de ciclo.
No segmento de GTD houve contração de 3% na receita do mercado interno em virtude de menor investimento em energia solar (que há correlação pela queda de custo de energia, forçando menor busca por investimento na área), mas em compensação, houve crescimento expressivo de 35% no mercado externo com esse boom de investimento em energia renovável, sendo os EUA, México, Índia e Zona do Euro os principais consumidores do período. Outro ponto interessante que pouco investidor percebe: a WEG é uma das companhias mais bem preparadas para a transição energética por ser fornecedora de bens de capital da área.
Sobre as outras linhas de receita (MCA e T&V) não abordaremos aqui para alongar e por representarem menor percentual da receita, mas os números também foram positivos.
Na linha de custo dos produtos vendidos, a cereja do bolo. O que demonstra claramente como a WEG é uma poderosa empresa de proteção inflacionária no longo prazo. Enquanto a receita da companhia cresceu 13%, seu CPV cresceu apenas 4%. Isso fez com que a empresa elevasse mais uma vez sua margem bruta. No 1T22 sua margem bruta era de 27,8%, enquanto no 4T22 foi de 30,3% e no 1T23 foi de 33 ,1%. A companhia está tendo forte sucesso no repasse de inflação para todos os seus consumidores e a queda do preço do cobre entre outras commodities estão ajudando muito nisso.