1. Até aqui, a indústria das bets venceu praticamente todas as disputas políticas no país. Em síntese, tudo o que avançou no Congresso foi, em maior ou menor grau, favorável aos interesses do setor;
2. A única grande derrota efetiva da indústria ocorreu por via judicial. O STF determinou a proibição de cadastro em casas de apostas para beneficiários e dependentes do Bolsa Família e do BPC, uma decisão externa ao jogo político tradicional;
3. Ao longo de todo esse período, os ataques à indústria dentro do Legislativo vieram de múltiplas frentes. O acúmulo dessas forças anti-bets cria a percepção de que uma primeira derrota política relevante da indústria pode ser inevitável no curto prazo;
4. Atualmente, existem três vias legislativas consideradas mais viáveis para impor essa derrota ao setor: três projetos distintos, todos já aprovados em ao menos uma das Casas do Congresso;
5. Falando em Casas, a Câmara dos Deputados sempre foi o principal reduto político da indústria das bets. Diferentemente do Senado, é ali que o setor historicamente demonstra maior capacidade de articulação e influência;
6. Entre os projetos em tramitação, o PL 5473/25 e o PLC 128/25 concorrem entre si. O PLC 128/25 é claramente mais brando que o PL 5473/25 (15% contra 18% sobre o GGR). Vale destacar que o PLC 128/25 já foi aprovado na Câmara, justamente o principal reduto da indústria, restando “apenas” sua apreciação pelo Senado;
7. Dentro desse cenário, a lógica parece ser clara: se for inevitável perder, que a perda seja a menor possível e não uma goleada. Esse, ao que tudo indica, deve ser o raciocínio interno da indústria, ainda que publicamente condene qualquer aumento de carga tributária (o que, do ponto de vista setorial, é compreensível);
8. Já o PL Antifacção 5582/25 representa um cenário verdadeiramente catastrófico para a indústria. A proposta de confiscar 15% de cada depósito seria um golpe sem precedentes. Diante de um aumento iminente da alíquota do GGR (seja pelo PLC 128/25 ou pelo PL 5473/25) e considerando que o PL Antifacção seguirá agora para a Câmara (novamente, o espaço de maior força política das bets), tudo indica que a indústria possui plenas condições de barrar essa medida considerada escandalosa;
9. Por fim, caso esse desenho se confirme (rejeição dos 15% sobre depósitos na Câmara e adoção de uma alíquota de 15% sobre o GGR, em vez de 18%), trata-se de uma derrota plenamente absorvível pela indústria. Na minha avaliação, isso ainda reforçaria a percepção de sua enorme força política no país, pois mesmo diante de uma avalanche de pressões, o setor perderia “apenas” 3 pontos percentuais, e ainda de forma gradual, diluída até 2028.