Hoje, vou te dar a chama, disse o fósforo.
A vela, inquieta, respondeu:
Não...se me acender, vou me consumir. Os meus dias estarão contados.
O fósforo ficou em silêncio um instante, depois perguntou suavemente:
Quer mesmo passar a tua vida assim? Fria, intocável, paralisada...sem nunca brilhar?
A vela baixou a voz:
queimar me fará mal... e eu irei desaparecer pouco a pouco.
Sim, isso fará mal. E sim, você partirá, respondeu o fósforo.
Mas é para isso que existimos. Eu, para te acender... e você, para iluminar.
A minha chama é pequena, efémera... mas se transmitir a você, terei cumprido a minha razão de ser.
A vela hesitou...
Então, antes que a chama do fósforo se apagasse, ela murmurou:
Por favor... acende-me.
Então, a luz nasceu.
Uma luz quente, viva, que transformou o ambiente.
A vela compreendeu que o seu verdadeiro valor não residia em permanecer intacta, mas em se dar, até iluminar à sua volta.
Às vezes, oferecer o melhor de si faz sofrer.
Mas é essa parte que se dá que muda tudo.
Talvez o amor, no fundo, seja isso: aceitar queimar um pouco de si para tornar o mundo menos sombrio.
Isso, não é sobre velas...