Há dias, o https://www.publico.pt/2025/11/23/mundo/noticia/desinformacao-russa-infiltrarse-inteligencia-artificial-afectar-respostas-chatgpt-2155066# https://www.publico.pt/2025/11/23/mundo/noticia/desinformacao-russa-infiltrarse-inteligencia-artificial-afectar-respostas-chatgpt-2155066#.
Esta peça está repleta de falácias, descontextualizações e mistura diferentes narrativas provenientes de órgãos de comunicação social estrangeiros sem que fosse feito um verdadeiro recorte (verificação) que qualquer jornalista devia fazer.
O autor da peça alega, em traços gerais, que existem duas redes de desinformação ligadas à Rússia (Pravda e Storm-1516) e que ambas estão a ser usadas para desenvolver acções nos projectos de Inteligência Artificial ocidentais com o objectivo de fazer com que adiram ao que se diz serem “narrativas do Kremlin”.
O primeiro grande problema desta peça é, como se disse inicialmente, a falta de verificação dos dados utilizados. O segundo é a ausência de investigação e aprofundamento dos dados que se confiou serem verosímeis.
As supostas redes “Pravda” (não confundir com o jornal “Pravda”) e “Storm-1516” não existem, nem organicamente, nem, sequer, como projecto informal.
Não existe qualquer entidade, referência ou, sequer, comunicação, ainda que informal, que dê conta destes dois nomes. Ambas são puras construções ocidentais e dois conceitos criados nos últimos anos para poder dar credibilidade à narrativa ocidental de que existem projectos com nomes próprios e que são direccionados a objectivos muito específicos em matéria de comunicação, informação e tecnologias de informação.
O nome “Storm-1516”, por exemplo, foi um nome criado, em 2024, pelo Threat Analysis Center da Microsoft a partir de um relatório publicado pelo Clemson’s Media Forensics Hub, em Dezembro de 2023, com o nome “Infektion’s Evolution: Digital Technologies and Narrative Laundering” estando ambos direccionados a proteger conteúdos disseminados contra o poder político e as instituições ucranianas.
Já a alegada rede “Pravda” teve uma origem igualmente recente e, também aqui, estamos perante um conceito inventado por uma entidade ocidental, a VIGINUM, ou seja, o serviço técnico e operacional do Estado francês para combater ingerências digitais estrangeiras e criada para proteger o debate público de campanhas de desinformação.
Também esta é uma suposta rede cujos liderança e membros se desconhecem, mas que serve para atribuir a autoria sobre qualquer notícia ou conteúdo falso, mesmo que criado por terceiros que nada tenham a ver com o Estado russo, bem como sobre qualquer tentativa de partilha de uma visão não perfilhada pelas instituições oficiais ocidentais.
Impunha-se, portanto, que o Público compreendesse e partilhasse a origem destes nomes, sem ter de dá-los automaticamente ao leitor sem qualquer explicação, como se se tratassem de verdades insofismáveis já confirmadas através de evidência científica.
Quem integra uma e outra? Não se sabe. Onde começam e onde terminam? Desconhece-se. Como se alinham, disciplinam e articulam? Pouco importa. Estamos perante dois conceitos que, basicamente, podem servir para justificar todo o tipo de realidades que se pretendam.
No final, as entidades ocidentais que exploram estes dois nomes também não conseguem explicar concretamente do que se trata, procurando fazer crer que traduzem-se em várias entidades organizadas que se articulam para disseminar narrativas consideradas pró-russas.
Na verdade, servem estes conceitos para catalogar tudo o que as instituições soberanas ocidentais não pretendem que seja conhecido ou, até, discutido.
Contudo, quando vemos os métodos utilizados – ou a falta deles – para se chegar a estas conclusões, rapidamente percebemos que qualquer pessoa que partilhe uma visão diferente daquela prosseguida pelo poder político ocidental é, em teoria, membro das supostas rede Pravda ou Storm-1516 se der voz à sua ideia ou se partilhar um conteúdo de qualquer entidade oficial russa.
O que tem a Federação Russa a ver com estes dois conceitos? Rigorosamente nada. Não os criou, não os orienta, nem sequer consegue compreender, até hoje, quem é que compõe estas supostas redes, uma vez que são conceitos criados por entidades ocidentais para encaixar pessoas e entidades que se