Mas houve dois casos que nos marcaram.
Primeiro, houve um ataque de falsa bandeira em Londres, em 1994, quando um ônibus explodiu em frente à embaixada israelense no centro da cidade. Lembro disso vagamente — estamos falando de muito tempo atrás. Mas, na época, foi algo enorme, virou notícia mundial.
Na verdade, houve até um ataque anterior, contra um centro ligado a interesses judaicos em Buenos Aires, semelhante — também envolvendo um veículo e uma explosão. No caso de Londres, houve uma explosão de ônibus diante da embaixada.
Houve apenas ferimentos leves, nada além disso. Ninguém morreu. Tratava-se de um dispositivo muito sofisticado, que parecia “se autodestruir”, eliminando praticamente todas as evidências forenses.
Isso é extremamente raro. Nem mesmo o IRA, que era uma organização terrorista altamente sofisticada, conseguia produzir bombas tão eficazes. Portanto, parecia obra de alguém com grande conhecimento técnico.
O mais importante é que, ao final da investigação, o responsável sênior do MI5 — que conduziu o caso e teve acesso tanto às provas quanto às informações de inteligência (nem sempre admissíveis em tribunal) — elaborou seu relatório formal. Nele, concluiu que o Mossad, o serviço de inteligência externa de Israel, havia organizado o atentado contra sua própria embaixada, uma espécie de explosão controlada do lado de fora do prédio.
Como disse, tratava-se de um alto funcionário do MI5, e essa foi sua conclusão oficial. Se você lesse isso na internet, poderia pensar que é teoria da conspiração — mas não era.
Segundo esse relatório, isso foi feito por duas razões. Primeiro, porque eles vinham pressionando o MI5 para aumentar a segurança em torno da embaixada e de outros interesses em Londres, já que a cidade tinha fama de ser um refúgio relativamente seguro para diversos grupos do Oriente Médio. O MI5, porém, insistia que não havia necessidade de reforçar a segurança.
Assim, ao provocar uma explosão controlada, conseguiram imediatamente o que queriam nesse aspecto.
Mas, mais importante ainda, dois palestinos inocentes foram presos, acusados e condenados por conspiração para realizar o ataque. Eles eram bastante ativos em uma rede de apoio palestina em Londres, fazendo campanha política em favor das populações da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Estavam começando a ganhar atenção da mídia e bastante apoio.
Ao prendê-los e colocá-los na prisão, toda a rede foi desarticulada e nunca mais voltou a se recompor até hoje.
Portanto, isso representaria uma clara vantagem política.